Culpa ou Responsabilidade

Vamos entender o que vem a ser “culpa” e “responsabilidade”.

Quando nos sentimos mal, incomodados com algo que deixamos de fazer em prol de algo que fizemos e nosso olhar se volta para aquilo que “gostaríamos” de ter feito, instalamos o sentimento da culpa.

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Nos culpamos e nos deixamos torturar.

A culpa nos coloca em posição de paralisia. Paramos com tudo. Mesmo quando não paramos, nossa qualidade do fazer já não é a mesma. Parece que nos arrastamos. Tudo fica mais lento...pela culpa, que nos coloca cada vez mais para baixo em relação à nossa energia.

Inicia-se o processo de jogar para o outro a culpa. “Você é o culpado por isso ter dado errado”. Essa frase é constante no que diz respeito à culpa.

Fazemos o que é possível fazer dentro do quadro onde a culpa é o foco.  Fazemos “o que dá” para fazer. Jamais fazemos o que precisa ser feito. E tudo fica embolado. Tudo fica revestido. Encoberto pela culpa.

Já não damos o nosso melhor genuíno. Não damos e doamos uma energia extra que nos fará falta lá na frente.

Quando chegarmos em outra fase de nossa existência, estaremos tão desarmônicos que a vida só será possível se adoecermos!

Mas esse assunto será abordado em outra ocasião.

 Estudo de Caso

M. de 31 anos é casada com J. de 33 anos, dentista bem sucedido profissionalmente.

M. nunca trabalhou fora de casa, pautou sua vida em torno do lar. Formada em Letras jamais exerceu qualquer função na área. Gostava de ler e escrever, para seu deleite pessoal.

Programaram ter três filhos e assim nasceu J.J.

M. começou a freqüentar academias e salões de beleza e estética logo nos primeiros meses de vida de J.J.

Seu corpo havia se modificado muito e ela precisava voltar à forma original (SIC) e para isso justificava suas ausências constantes de casa. Deixa em seu lugar uma equipe de profissionais domésticos.

Como não poderia deixar de ser, contava com babás.

M. nunca trocou uma fralda. Nunca amamentou. Nunca banhou seu bebê. Afinal isso era trabalho para as babás.

Naquele sábado a babá seria a folguista, uma adolescente, em sua primeira vez na casa. Portanto não estava nada familiarizada com os hábitos e ritmos do bebê.

M. dá ordens específicas: “se ele chorar, não vá até o quarto, deixe-o aquietar-se, ele dorme de novo”.

No pacote das recomendações diz que voltará logo que terminar seu tratamento de beleza, unhas e cabelo.

J.J. está alimentado e dormindo no berço em seu quarto.

M. deixa mais uma recomendação de que se o bebê chorasse muito deveria ser avisada por telefone, mas não deveria entrar no quarto. Aprendera isso com a outra babá.

Passados trinta minutos depois que M. estava no cabeleireiro, toca o telefone. M. pede que atendam, pois está com esmalte fresco nas unhas. A manicure diz que é a babá e que J.J. chora muito.

M. manda dizer que deverá voltar logo e reitera a recomendação para não entrar no quarto. Pode ser manha. Ele volta a dormir.

Desliga o telefone. “Essas babás são fogo, por qualquer coisinha nos importunam”.

Passados mais trinta minutos o telefone toca novamente. É a babá. Informa que o bebê aquietou-se. Seguiu a recomendação à risca. Não precisa mais se preocupar.

M. suspira aliviada. Pode continuar o tratamento de beleza sossegada.

M. volta para casa. O bebê dorme. A babá acha estranho.

M. dirige-se ao quarto de J.J. O véu de tule que cobre o berço envolve inteiramente J.J. Ele não dorme. Está morto.

M. está internada em clínica psiquiátrica desde o falecimento de seu único filho J.J.

Passemos, agora a entender o que é responsabilidade. Quando nos colocamos na posição de responsáveis por tudo o que nos acontece, podemos tomar atitudes que nos recoloquem no caminho pretendido.

Responso = resposta. Habilidade =  aptidão.

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Da mesma forma que a culpa nos paralisa, a responsabilidade nos impulsiona a agir.

Ser responsável é saber que ninguém faz aquilo que não pode fazer.  Que só se pode fazer aquilo que depende de nós mesmos. Ou seja, só temos condições de fazer a nossa parte e não a que cabe ao outro.

No caso apresentado acima, instalou-se a culpa em M. que delegou responsabilidades e ao mesmo tempo bloqueou ações que o outro poderia ter tido.

Mesmo assim, culpou a babá.

Algum ponto (inconsciente) em si mesma trouxe à tona a responsabilidade por seus atos  e isso a fez adoecer.

Foi a única forma possível de sobreviver.

 

Seja responsável. Coloque-se a caminho. Faça a sua parte... Apenas a sua parte! 

 

Mirian Leite

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